Nos últimos meses, o cenário político do Rio de Janeiro tem sido sacudido por movimentações que vão
além dos discursos e agendas oficiais. Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, tem reforçado
sua presença na Baixada Fluminense, especialmente em Belford Roxo, em aliança com o prefeito Márcio
Canella, vice-presidente do partido. Essa aproximação, porém, levanta questionamentos sobre contratos
públicos, encontros com investigados por milícia e até a citação em uma investigação da Polícia Federal
sobre infiltração do PCC no setor de combustíveis.
Reportagem da Revista Oeste revelou que Rueda esteve em Belford Roxo para encontros políticos ao
lado de Canella. Nessas agendas, compareceram lideranças locais como “Varandão” e Eduardo Araújo —
ambos citados em processos por ligação com milícias. Um foi preso e o outro condenado a oito anos por
integrar grupo criminoso.
Canella, por sua vez, não apenas o recebeu como reforçou publicamente a parceria, defendendo Rueda
de críticas de Anthony Garotinho nas redes sociais, após a repercussão da festa de 50 anos do dirigente
em Mykonos.
Em nível nacional, reportagem do Metrópoles apontou que Rueda é investigado na Operação Carbono
Oculto, que apura a infiltração do PCC no setor de combustíveis e em fundos de investimento. A PF diz
que ele seria proprietário oculto de jatos executivos operados por empresa de táxi aéreo utilizada por
investigados.
Matéria do Jornal Hora H revelou que a empresa Opção Ativa, sediada em Duque de Caxias, presta
serviços de reboque para o Detran-RJ sem licitação em várias cidades. O sócio-administrador é irmão de
Hugo “Canelão”, liderança política ligada a Canella.
Especialistas em transparência apontam que esse tipo de contrato sem licitação merece escrutínio, pois
configura favorecimento político ao então, Deputado Marcio Canella.
O nome de Márcio Canella também aparece em ação penal movida pelo Ministério Público do RJ, que
o acusa de fraude em licitações, peculato e utilização de empresas de fachada para desviar recursos
públicos no município de Belford Roxo.
As reuniões de Rueda em Belford Roxo com pessoas investigadas por milícia geraram críticas de
setores da sociedade civil e oposição. Embora se trate de encontros políticos abertos, especialistas
em segurança pública alertam que a presença de líderes partidários com figuras desse histórico pode
legitimar e fortalecer a influência de grupos armados em comunidades.
Antônio Rueda e Márcio Canella arrastam consigo não apenas suas trajetórias individuais, mas também
a imagem do União Brasil, que se afastou dos princípios de ética e transparência, permitindo que seus
principais dirigentes se envolvessem em articulações de bastidores com suspeitas de milícia, contratos
sem licitação e menções em investigações junto ao PCC, da Polícia Federal.
O Portal de Bel está a disposição dos envolvidos caso queiram se manifestar
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